Eu, a caipirinha, tive a "genial" idéia de me misturar com a cerveja. Levei semanas dando em cima da mesma, até que ela topou um encontro! Marcamos no mesmo balcão de sempre. Quando nos vimos, copos lado a lado, o desejo pela mistura ebulia e quase que jorrávamos fora de nossos cones de vidro. Não demorou muito e partimos direto pra batida. Uma vontade de misturar os dois elementos e, quem sabe, descobri um novo drink, um novo gosto, uma nova maneira de observar as pessoas encostado no canto. Chegamos na casa de um amigo da cerveja, ela logo achou um bar para nos recostarmos e assim, como dois drinks loucos, nos consumimos. Um com a boca no canudo do outro. Luta de canudos, canudos que entram e saem, ovos (não coloridos) e um porre de gozar... Horas na coquetelera, horas na mistura, na doideira de derreter o gelo que poderia ter se criado entre duas populares bebidas.
Até então tudo se saiu bem. Porém, dias depois, foi dando um mal estar no barman e eu achava que era porque, sem meus limões, estava tendo mesmo uma quedinha pelo levedo, sim, o da cerveja. Pois veja: ela falou comigo, teceu bons comentários, disse que me indicaria no menu, falou que gostou de me ter nu, não só fisicamente, mas que havia mesmo amado cada ingrediente da minha mistura.
Mentira pura. Destilado que sou, não me engano mais com loiras baratas. Agora ela está lá, falando mal do tamanho de meus limões, achando que com isso o meu preço vai cair na tabela. Bobagem dela, produto tipo exportação que sou, não precisei nem de sal de fruta pra entender que cerveja com caipirinha é uma mistura filha da puta!
Tem que ter estômago.
Fim da receita.
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